{"id":827,"date":"2020-04-10T18:00:55","date_gmt":"2020-04-10T21:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/?p=827"},"modified":"2020-04-07T01:39:33","modified_gmt":"2020-04-07T04:39:33","slug":"semana-santa-sexta-feira-da-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/2020\/04\/10\/semana-santa-sexta-feira-da-paixao\/","title":{"rendered":"Semana Santa: SEXTA-FEIRA DA PAIX\u00c3O"},"content":{"rendered":"<h5>Ele n\u00e3o tinha mais formosura!<\/h5>\n<blockquote><p><em>Eis o lenho da cruz,<br \/>\n<\/em><em>do qual pendeu a salva\u00e7\u00e3o do mundo.<br \/>\n<\/em><em>Vinde adoremos!<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Adoramos, Senhor, vosso madeiro;<br \/>\n<\/em><em>vossa ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00f3s celebramos.<br \/>\n<\/em><em>Veio a alegria para o mundo inteiro<br \/>\n<\/em><em>por essa cruz que hoje veneramos!<\/em><\/p>\n<p><em>(Liturgia da Sexta-feira da Paix\u00e3o)<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>Os ap\u00f3stolos se deram conta da diferen\u00e7a. E como! Na transfigura\u00e7\u00e3o o rosto do Mestre brilhava e suas vestes eram t\u00e3o brancas que lavandeiro algu\u00e9m conseguia fazer t\u00e3o alvas!<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>A cerim\u00f4nia se realiza pelas tr\u00eas horas da tarde. Tudo \u00e9 sil\u00eancio. Os celebrantes, vestidos do vermelho dos m\u00e1rtires, penetram silenciosos no templo. Prostram-se por terra. Desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>Erguendo-se da prostra\u00e7\u00e3o o celebrante diz: \u201c<em>\u00d3 Deus, foi por n\u00f3s que o Cristo, vosso Filho, derramando o seu sangue, instituiu o mist\u00e9rio da P\u00e1scoa. Lembrai-vos sempre de vossas miseric\u00f3rdias, e santificai-nos pela vossa constante prote\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>Sexta-feira da Paix\u00e3o \u00e9, efetivamente, o dia das manifesta\u00e7\u00f5es das miseric\u00f3rdias de Deus. Os fieis, humildes e recolhidos, querem contemplar esse que amou at\u00e9 o fim. As cerim\u00f4nias se passam em quatro momentos: Liturgia da Palavra, Ora\u00e7\u00e3o dos Fieis, Adora\u00e7\u00e3o da Cruz e Comunh\u00e3o (com reserva consagrada na v\u00e9spera).<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>A cruz \u00e9 o emblema do cristianismo, a figura com a qual \u00e9 identificado. A raz\u00e3o \u00e9 muito simples: esse Jesus que confessamos como nosso Salvador, morreu pregado na cruz, \u00e9 o Crucificado.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>A crucifix\u00e3o era um terr\u00edvel supl\u00edcio reservado pelos romanos quase exclusivamente aos escravos, r\u00e9us de delitos especialmente odiosos, morte atroz, <em>mors turpissima.<\/em> O supl\u00edcio foi abolido por Constantino. Compreendemos que Paulo tenha dificuldade em anunciar a salva\u00e7\u00e3o a partir da loucura da cruz.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>Lemos o relato da Paix\u00e3o segundo Jo\u00e3o. Trata-se de um texto em que a morte de cruz \u00e9 apresentada como manifesta\u00e7\u00e3o de sua gl\u00f3ria: \u201cQuando eu for elevado atrairei todos a mim\u201d (Jo 12,32). Assim como Mois\u00e9s tinha levantado a serpente de bronze no deserto, da mesma forma Jesus ser\u00e1 erguido. Um autor espanhol assim escreve: \u201cJo\u00e3o d\u00e1 a seu relato a forma de uma entroniza\u00e7\u00e3o. Jesus \u00e9 apresentado por Pilatos revestido de um manto de p\u00farpura; recebe o t\u00edtulo de Rei afixado junto \u00e0 cruz. Sua \u00faltima palavra \u00e9: \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d. Tudo acontece para que se cumpram as Escrituras\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>\u00c9 de Jo\u00e3o, e s\u00f3 de Jo\u00e3o, o detalhe da lan\u00e7a que perfura o peito de Jesus. Dali correm sangue e \u00e1gua, sinais de vida e de fecundidade. Os olhos de todos se voltar\u00e3o para aquele que crucificaram&#8230; a cruz \u00e9 gloriosa.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>Jesus, sabendo que tudo estava consumado, a fim de que se cumprisse a Escritura disse: \u201cTenho sede\u201d. Havia perto um vaso cheio de vinagre. Depois de ter provado a bebida, diz: \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d. Inclinando a cabe\u00e7a, diz Jo\u00e3o, Ele entregou o esp\u00edrito.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>Jesus vive a morte n\u00e3o como um fim, mas como realiza\u00e7\u00e3o, cumprimento das Escrituras, cumprimento de sua miss\u00e3o, cumprimento de sua obedi\u00eancia e de sua liberdade. Um autor chama aten\u00e7\u00e3o: \u201cJesus, antes de morrer, inclina a cabe\u00e7a, como para exprimir assentimento, obedi\u00eancia, um ato de liberdade\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>A morte \u00e9, para Cristo, tamb\u00e9m realiza\u00e7\u00e3o e cumprimento de seu desejo, de sua sede que n\u00e3o seria satisfeita tomando um gole da bebida, mas no abra\u00e7o com o Pai do qual sempre fez a vontade.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>A morte de Jesus aparece ainda como realiza\u00e7\u00e3o ou cumprimento do amor. A cruz \u00e9 s\u00edmbolo de uma vida doada, dada at\u00e9 o fim. A morte de Jesus n\u00e3o foi acontecimento suportado, mas um ato do qual ele \u00e9 sujeito. Jesus d\u00e1 sua vida. O verbo que Jo\u00e3o escolhe para indicar o morrer de Cristo designa o ato de um vivente. Jo\u00e3o n\u00e3o diz que Jesus morreu, mas que \u201centregou o esp\u00edrito\u201d (Jo 19,30). Trata-se de uma a\u00e7\u00e3o consciente e livre de um ser vivo. Depois de ter dado tudo, d\u00e1 tamb\u00e9m o seu esp\u00edrito.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>\u201cA morte, como entrega do Esp\u00edrito Santo, torna-se um Pentecostes, acontecimento que transmite o princ\u00edpio da vida espiritual \u00e0 exist\u00eancia do crist\u00e3o. Desta forma se define ulteriormente a concep\u00e7\u00e3o da morte de Jesus no quarto evangelho: a morte \u00e9 gl\u00f3ria. A gl\u00f3ria do amor vence a morte e lhe d\u00e1 um outro significado fazendo dela ocasi\u00e3o de dom. Jesus aparece como rei (pense-se na coroa de espinhos) e sua <em>via crucis<\/em> \u00e9, na verdade um cortejo de entroniza\u00e7\u00e3o real. A cruz \u00e9, antes de tudo, julgamento do mundo, \u00e9 um caminho na dire\u00e7\u00e3o do Pai, \u00e9 \u00eaxodo rumo ao Pai. Uma P\u00e1scoa, uma passagem deste mundo ao Pai. Na cruz, para Jo\u00e3o, j\u00e1 est\u00e1 inclu\u00edda a totalidade do mist\u00e9rio pascal\u201d (<em>Testi per Le celebrazioni eucaristiche di Quaresima e tempo di Pasqua<\/em>, Comunit\u00e0 di Bose, Vita e Pensiero, Milano 2006, p. 34-35).<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>Aderir ao mist\u00e9rio de Cristo \u00e9 deitar na cruz com Cristo, ser com Ele elevado e nele morrer. N\u00e3o \u00e9 isso que vivemos intensamente na Sexta-feira das Dores? Ou na Sexta-feira luminosa? Aceitamos que de cada uma de nossas mortes jorre uma fonte de vida. Morremos a tudo aquilo que nos impede de ser n\u00f3s mesmos, de saltar, livres. A cruz atravessa nossas noites. Atrav\u00e9s dos ritos da Sexta-feira Santa nosso ser, nossas l\u00e1grimas e nossas alegrias \u00e9 que s\u00e3o transformadas.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>Melit\u00e3o de Sardes (s\u00e9c. II), nos ajuda a refletir sobre a cruz de Cristo: \u201cFoi ele (Cristo) o cordeiro que n\u00e3o abriu a boca, o cordeiro imolado, nascido de Maria, a bela ovelhinha; retirado do rebanho foi levado ao matadouro, imolado \u00e0 tarde e sepultado \u00e0 noite; ao ser crucificado, n\u00e3o lhe quebraram osso algum e ao ser sepultado, n\u00e3o experimentou a corrup\u00e7\u00e3o; mas ressuscitando dos mortos, ressuscitou tamb\u00e9m a humanidade das profundezas do sepulcro\u201d (<em>Liturgia das Horas <\/em>II, p.401).<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em>Os Lamentos do Senhor v\u00e3o at\u00e9 o fundo de nosso cora\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Que te fiz, meu povo eleito? Diz em que te contristei? Que mais podia ter feito, em que foi que te faltei?<\/em> <strong>Deus santo, Deus forte, Deus imortal, tende piedade de n\u00f3s!<\/strong>\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele n\u00e3o tinha mais formosura! Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salva\u00e7\u00e3o do mundo. Vinde adoremos!\u00a0 Adoramos, Senhor, vosso madeiro; vossa ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00f3s celebramos. Veio a alegria para o mundo inteiro por essa cruz que hoje veneramos! (Liturgia da Sexta-feira da Paix\u00e3o) \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Os ap\u00f3stolos se deram conta da diferen\u00e7a. E como! Na transfigura\u00e7\u00e3o o rosto do Mestre brilhava e suas vestes eram t\u00e3o brancas que lavandeiro algu\u00e9m conseguia fazer t\u00e3o alvas! \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A cerim\u00f4nia se realiza pelas tr\u00eas horas da tarde. Tudo \u00e9 sil\u00eancio. Os celebrantes, vestidos do vermelho dos m\u00e1rtires, penetram silenciosos no templo. Prostram-se por terra. Desola\u00e7\u00e3o. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Erguendo-se da prostra\u00e7\u00e3o o celebrante diz: \u201c\u00d3 Deus, foi por n\u00f3s que o Cristo, vosso Filho, derramando o seu sangue, instituiu o mist\u00e9rio da P\u00e1scoa. Lembrai-vos sempre de vossas miseric\u00f3rdias, e santificai-nos pela vossa constante prote\u00e7\u00e3o\u201d. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Sexta-feira da Paix\u00e3o \u00e9, efetivamente, o dia das manifesta\u00e7\u00f5es das miseric\u00f3rdias de Deus. Os fieis, humildes e recolhidos, querem contemplar esse que amou at\u00e9 o fim. As cerim\u00f4nias se passam em quatro momentos: Liturgia da Palavra, Ora\u00e7\u00e3o dos Fieis, Adora\u00e7\u00e3o da Cruz e Comunh\u00e3o (com reserva consagrada na v\u00e9spera). \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A cruz \u00e9 o emblema do cristianismo, a figura com a qual \u00e9 identificado. 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Um autor espanhol assim escreve: \u201cJo\u00e3o d\u00e1 a seu relato a forma de uma entroniza\u00e7\u00e3o. Jesus \u00e9 apresentado por Pilatos revestido de um manto de p\u00farpura; recebe o t\u00edtulo de Rei afixado junto \u00e0 cruz. Sua \u00faltima palavra \u00e9: \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d. Tudo acontece para que se cumpram as Escrituras\u201d. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00c9 de Jo\u00e3o, e s\u00f3 de Jo\u00e3o, o detalhe da lan\u00e7a que perfura o peito de Jesus. Dali correm sangue e \u00e1gua, sinais de vida e de fecundidade. Os olhos de todos se voltar\u00e3o para aquele que crucificaram&#8230; a cruz \u00e9 gloriosa. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Jesus, sabendo que tudo estava consumado, a fim de que se cumprisse a Escritura disse: \u201cTenho sede\u201d. Havia perto um vaso cheio de vinagre. Depois de ter provado a bebida, diz: \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d. Inclinando a cabe\u00e7a, diz Jo\u00e3o, Ele entregou o esp\u00edrito. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Jesus vive a morte n\u00e3o como um fim, mas como realiza\u00e7\u00e3o, cumprimento das Escrituras, cumprimento de sua miss\u00e3o, cumprimento de sua obedi\u00eancia e de sua liberdade. Um autor chama aten\u00e7\u00e3o: \u201cJesus, antes de morrer, inclina a cabe\u00e7a, como para exprimir assentimento, obedi\u00eancia, um ato de liberdade\u201d. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A morte \u00e9, para Cristo, tamb\u00e9m realiza\u00e7\u00e3o e cumprimento de seu desejo, de sua sede que n\u00e3o seria satisfeita tomando um gole da bebida, mas no abra\u00e7o com o Pai do qual sempre fez a vontade. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A morte de Jesus aparece ainda como realiza\u00e7\u00e3o ou cumprimento do amor. A cruz \u00e9 s\u00edmbolo de uma vida doada, dada at\u00e9 o fim. A morte de Jesus n\u00e3o foi acontecimento suportado, mas um ato do qual ele \u00e9 sujeito. Jesus d\u00e1 sua vida. O verbo que Jo\u00e3o escolhe para indicar o morrer de Cristo designa o ato de um vivente. Jo\u00e3o n\u00e3o diz que Jesus morreu, mas que \u201centregou o esp\u00edrito\u201d (Jo 19,30). Trata-se de uma a\u00e7\u00e3o consciente e livre de um ser vivo. Depois de ter dado tudo, d\u00e1 tamb\u00e9m o seu esp\u00edrito. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u201cA morte, como entrega do Esp\u00edrito Santo, torna-se um Pentecostes, acontecimento que transmite o princ\u00edpio da vida espiritual \u00e0 exist\u00eancia do crist\u00e3o. Desta forma se define ulteriormente a concep\u00e7\u00e3o da morte de Jesus no quarto evangelho: a morte \u00e9 gl\u00f3ria. A gl\u00f3ria do amor vence a morte e lhe d\u00e1 um outro significado fazendo dela ocasi\u00e3o de dom. Jesus aparece como rei (pense-se na coroa de espinhos) e sua via crucis \u00e9, na verdade um cortejo de entroniza\u00e7\u00e3o real. A cruz \u00e9, antes de tudo, julgamento do mundo, \u00e9 um caminho na dire\u00e7\u00e3o do Pai, \u00e9 \u00eaxodo rumo ao Pai. Uma P\u00e1scoa, uma passagem deste mundo ao Pai. Na cruz, para Jo\u00e3o, j\u00e1 est\u00e1 inclu\u00edda a totalidade do mist\u00e9rio pascal\u201d (Testi per Le celebrazioni eucaristiche di Quaresima e tempo di Pasqua, Comunit\u00e0 di Bose, Vita e Pensiero, Milano 2006, p. 34-35). \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Aderir ao mist\u00e9rio de Cristo \u00e9 deitar na cruz com Cristo, ser com Ele elevado e nele morrer. N\u00e3o \u00e9 isso que vivemos intensamente na Sexta-feira das Dores? Ou na Sexta-feira luminosa? Aceitamos que de cada uma de nossas mortes jorre uma fonte de vida. Morremos a tudo aquilo que nos impede de ser n\u00f3s mesmos, de saltar, livres. A cruz atravessa nossas noites. Atrav\u00e9s dos ritos da Sexta-feira Santa nosso ser, nossas l\u00e1grimas e nossas alegrias \u00e9 que s\u00e3o transformadas. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Melit\u00e3o de Sardes (s\u00e9c. II), nos ajuda a refletir sobre a cruz de Cristo: \u201cFoi ele (Cristo) o cordeiro que n\u00e3o abriu a boca, o cordeiro imolado, nascido de Maria, a bela ovelhinha; retirado do rebanho foi levado ao matadouro, imolado \u00e0 tarde e sepultado \u00e0 noite; ao ser crucificado, n\u00e3o lhe quebraram osso algum e ao ser sepultado, n\u00e3o experimentou a corrup\u00e7\u00e3o; mas ressuscitando dos mortos, ressuscitou tamb\u00e9m a humanidade das profundezas do sepulcro\u201d (Liturgia das Horas II, p.401). \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Os Lamentos do Senhor v\u00e3o at\u00e9 o fundo de nosso cora\u00e7\u00e3o: \u201cQue te fiz, meu povo eleito? Diz em que te contristei? Que mais podia ter feito, em que foi que te faltei? 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