{"id":891,"date":"2020-05-13T16:25:28","date_gmt":"2020-05-13T19:25:28","guid":{"rendered":"http:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/?p=891"},"modified":"2020-05-13T16:25:28","modified_gmt":"2020-05-13T19:25:28","slug":"catequese-os-dogmas-marianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/2020\/05\/13\/catequese-os-dogmas-marianos\/","title":{"rendered":"Catequese: Os Dogmas Marianos"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Esse texto faz parte da nossa s\u00e9rie de artigos catequ\u00e9ticos que ser\u00e3o publicados todas \u00e0s quartas do m\u00eas de Maio sobre Maria.<\/p><\/blockquote>\n<p><em>O que S\u00e3o Dogmas?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o verdades de f\u00e9 declaradas por um Conc\u00edlio ou por um Papa, que o fiel acolhe e, crendo, professa. N\u00e3o \u00e9 imposi\u00e7\u00e3o da Igreja, mas s\u00e3o esclarecimentos estudados e analisados sobre um assunto que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil compreender, devido a verdades complexas que fazem parte da revela\u00e7\u00e3o divina. Em geral, recorre-se aos conceitos filos\u00f3ficos e jur\u00eddicos, uma vez que h\u00e1 in\u00fameras heresias<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> que explicam, com julgamentos opinativos desvirtuados, assemelhados a tal verdade de f\u00e9, mas que n\u00e3o condizem verdadeiramente com o pensamento eclesial (da Igreja).<\/p>\n<blockquote><p>O Magist\u00e9rio da Igreja faz pleno uso da autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto \u00e9, quando prop\u00f5e, dum modo que obriga o povo crist\u00e3o a uma ades\u00e3o irrevog\u00e1vel de f\u00e9, verdades contidas na Revela\u00e7\u00e3o divina ou quando prop\u00f5em de modo definitivo, verdades que tenham com elas um nexo necess\u00e1rio. A interliga\u00e7\u00e3o e a coer\u00eancia dos dogmas podem encontrar-se no conjunto da revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de Cristo. (<em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, p. 88 e 90<\/em>)<\/p><\/blockquote>\n<p>Ap\u00f3s declarar o dogma (do grego: <em>decis\u00e3o<\/em>), se manifesta publicamente o que \u00e9 professado pela Igreja. Quando \u00e9 questionada, responde sem divaga\u00e7\u00f5es est\u00e9reis, a partir do senso comum; mas recorre \u00e0quilo que j\u00e1 foi decidido h\u00e1 s\u00e9culos: \u201cAntes, declarai santo, em vossos cora\u00e7\u00f5es, o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar a raz\u00e3o da vossa esperan\u00e7a a todo aquele que a pedir. Fazei-o, por\u00e9m, com mansid\u00e3o e respeito e com boa consci\u00eancia.\u201d (Pd 3,15-16).<\/p>\n<p>Durante esta hist\u00f3ria de constantes encal\u00e7os: mentiras, difama\u00e7\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es, atentados, guerras&#8230; sem fraquejar a Igreja, impulsionada pelo Esp\u00edrito Santo, tomou decis\u00f5es, depois de prolongadas consultas &#8211; at\u00e9 mesmo durante s\u00e9culos &#8211; para salvaguardar o tesouro da F\u00e9. H\u00e1 cerca de 44 dogmas atuais para dar testemunho ao mundo, a quem servimos. S\u00e3o subdivididos em 8 categorias diferentes (hierarquia das verdades)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> \u2013 sobre Deus; sobre Jesus Cristo; sobre a cria\u00e7\u00e3o do mundo; sobre o ser humano; sobre o Papa e a Igreja; sobre os sacramentos; sobre as \u00faltimas coisas; sobre Maria.<\/p>\n<p>Assim, um dogma quando proclamado, utiliza a linguagem e vis\u00e3o de mundo pr\u00f3prias de sua \u00e9poca e contexto hist\u00f3rico, a fim de que seus contempor\u00e2neos entendam o que professam. A formula\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica do cristianismo, ap\u00f3s os primeiros padres da Igreja &#8211; apost\u00f3licos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> e apologetas<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> &#8211; necessitou de literaturas em defesa da f\u00e9, ao passo que o s\u00e9culo III presenciou j\u00e1 o nascimento de uma ci\u00eancia teol\u00f3gica. Nos s\u00e9culos que se seguiram \u00e0 convers\u00e3o do mundo antigo, foi definida com precis\u00e3o a doutrina acerca de verdades fundamentais crist\u00e3s. Formulou-se a doutrina dogm\u00e1tica sobre a <em>Sant\u00edssima Trindade<\/em>, o <em>Mist\u00e9rio de Cristo<\/em> e a <em>Gra\u00e7a<\/em>. Era essencial, devido \u00e0 expans\u00e3o geogr\u00e1fica do cristianismo (ultrapassando os limites urbanos, a evangeliza\u00e7\u00e3o atinge os camponeses), para esclarecer, de forma precisa, qual era a f\u00e9 da Igreja em meio a tantas literaturas individuais que tentavam explicar a revela\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p>Por exemplo, uma heresia, o <em>Macedonismo:<\/em> \u00a0Maced\u00f4nio, bispo de Constantinopla, defendia que o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o era Deus, mas mera criatura do Pai. Ela foi condenada no Conc\u00edlio de Constantinopla II (381), que ensinou ser o Esp\u00edrito Santo uma Pessoa divina. <em>\u201cCreio no Esp\u00edrito Santo, Senhor que d\u00e1 a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho \u00e9 adorado e glorificado\u201d <\/em>(S\u00edmbolo Niceno-Constantinopolitano). Assim, j\u00e1 sabemos a defini\u00e7\u00e3o de dogma, e que se proclama num Conc\u00edlio<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Necess\u00e1rio \u00e9 tamb\u00e9m encontrar um texto b\u00edblico como fonte para solidificar o dogma.<\/p>\n<p><em>O que s\u00e3o Dogmas Marianos?<\/em><\/p>\n<p>As verdades sobre a maternidade divina, a virgindade, a Imaculada concei\u00e7\u00e3o e Assun\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o a palavra inicial nem a palavra final, pois n\u00e3o podemos desconsiderar a viv\u00eancia primeira de Maria de Nazar\u00e9, sua exist\u00eancia humana. Compreendamos que os dogmas \u201cmariais\u201d j\u00e1 faziam parte da hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, estavam nos planos de Deus antes de toda a cria\u00e7\u00e3o; depois, em g\u00e9rmen (origem), nas narrativas do Novo Testamento, e desenvolvida na <a href=\"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/2020\/05\/06\/catequese-maria-nas-escrituras\/#_ftnref2\">Tradi\u00e7\u00e3o Eclesial.<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar a maneira na qual dirigimos nosso culto a Maria, para n\u00e3o sucatear ou omitir a nossa f\u00e9. Quem nunca foi questionado: \u201cOs cat\u00f3licos adoram Maria como Deus?\u201d. Esclare\u00e7amos: h\u00e1 uma diferen\u00e7a na forma dos cultos, uma delas \u00e9 a <em>dulia<\/em> (grego:\u00a0<em>\u03b4\u03bf\u03c5\u03bb\u03b5\u03b9\u03b1<\/em>, \u201c<em>douleuo<\/em>\u201d),\u00a0que significa <em>honra<\/em> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Culto_crist%C3%A3o\"><em>culto de venera\u00e7\u00e3o<\/em><\/a><em>\u00a0devotado<\/em> aos\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Santo\">santos<\/a> como amigos de Deus. \u00c9 comprova\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio das virtudes crist\u00e3s da Igreja; convite a seguir a vida do santo. O Patriarca\u00a0<strong>S\u00e3o Jos\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 considerado o primeiro dos santos, sendo ensinado o culto de\u00a0<strong><em>protodulia<\/em><\/strong>. S\u00e3o Jos\u00e9 tornou-se patrono universal da Igreja, proclamado como tal pelo Papa Pio IX em 1870.<\/p>\n<p>A <em>latria <\/em>(grego: <em>\u03bb\u03b1\u03c4\u03c1\u03b5\u03b9\u03b1<\/em> \u201c<em>latreuo<\/em>\u201c) \u00e9 <u>o culto que se deve somente a Deus,<\/u> e consiste em reconhecer nele a divindade, prestando uma homenagem absoluta e suprema, como criador e redentor dos homens. Ou seja, admiti-lo como o Senhor de todas as coisas e criador de todos n\u00f3s: \u201c<em>Tu adorar\u00e1s o teu Deus<\/em>\u201d (Mt 4, 10). \u201c<em>Abra\u00e3o, levantando os olhos, viu tr\u00eas var\u00f5es em p\u00e9, junto a ele. Tanto que ele os viu, correu da porta da tenda a receb\u00ea-los e prostrando em terra os adorou<\/em>\u201d (Gn. 18,2).<\/p>\n<p>Culto de <em>hiperdulia<\/em>\u00a0(grego:\u00a0<em>\u03c5\u03c0\u03b5\u03c1\u03b4\u03bf\u03c5\u03bb\u03b5\u03b9\u03b1<\/em><em> hyper<\/em>, acima de;\u00a0<em>douleuo<\/em>, honra) <em>\u00e9 acima do culto de honra, sem atingir o culto de adora\u00e7\u00e3o<\/em>. \u00c9 o culto especial devido a Maria Sant\u00edssima como\u00a0M\u00e3e de Deus, ou em seus diversos t\u00edtulos e apari\u00e7\u00f5es. Portanto, <u>venera\u00e7\u00e3o<\/u> n\u00e3o deve ser confundida com\u00a0<strong><u>idolatria<\/u>,<\/strong>\u00a0n\u00e3o no sentido da palavra e muito menos da pr\u00e1tica. Mais um ponto importante \u00e9 que n\u00e3o se devem misturar os exerc\u00edcios de piedade popular com a Doutrina oficial da Santa Igreja Cat\u00f3lica; e a reta observa\u00e7\u00e3o da doutrina, n\u00e3o implica em desrespeitar Nossa Senhora<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p><em>Quais s\u00e3o os Dogmas Marianos?<\/em><\/p>\n<p>V\u00e1rios padres da Igreja (apost\u00f3licos e apologistas, tal supracitado) j\u00e1 se referiam a Maria como <em>Mater Dei<\/em> (em latim), <strong>M\u00e3e de Deus<\/strong>. Assim foi o caso de In\u00e1cio (ano 107), Or\u00edgenes (254), Atan\u00e1sio (330) e Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo (400). Os cat\u00f3licos recorrem \u00e0 Maria, durante a hist\u00f3ria, como M\u00e3e de Deus e m\u00e3e dos crist\u00e3os. Surge uma pergunta: \u00e9 poss\u00edvel uma criatura ser m\u00e3e do Criador? Encontro uma primeira resposta em Marcos, que chama Jesus \u201cFilho de Maria\u201d (Mc 6,3); Mateus, referindo-se \u00e0 origem de Jesus, chama-a de \u201cMaria, sua m\u00e3e\u201d (Mt 1,18); em Lucas, o anjo anuncia a futura m\u00e3e de Jesus (Lc 1, 26-38); e em Jo\u00e3o, \u00e9 citada a \u201cm\u00e3e de Jesus\u201d (Jo 2,1).<\/p>\n<p>Em luta contra a heresia <em>nestoriana<\/em>: narra que Jesus tinha duas naturezas: uma humana<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> e outra divina &#8211; at\u00e9 aqui \u00e9 profiss\u00e3o de nossa f\u00e9 &#8211; mas que Maria seria apenas m\u00e3e de Cristo como homem. Assim Or\u00edgenes (254), Atan\u00e1sio (330) e Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo (400) atribuem a Maria o t\u00edtulo de <em>Theot\u00f3kos<\/em> (em grego): parturiente de Deus ou M\u00e3e de Deus. Uma ora\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo III come\u00e7a assim: \u201cSob a tua prote\u00e7\u00e3o nos refugiamos \u00f3 <em>Theot\u00f3kos<\/em>\u201d. \u00c9 definido no Conc\u00edlio de \u00c9feso, em 431, a Maternidade Divina: pois Jesus \u00e9 verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Maria \u00e9 m\u00e3e de Deus feito homem (Jesus) logo, Maria \u00e9 M\u00e3e de Deus.<\/p>\n<p>A <strong>Virgindade Perp\u00e9tua <\/strong>\u00e9 professada pela Igreja: antes, durante e depois do parto. Pergunta: Como \u00e9 poss\u00edvel engravidar sem a rela\u00e7\u00e3o sexual? Algumas tend\u00eancias gn\u00f3sticas<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> dentro do cristianismo achavam que Jesus era filho de Jos\u00e9. Os evangelhos de Mateus e Lucas narram que a concep\u00e7\u00e3o de Jesus aconteceu por obra do Esp\u00edrito Santo, sem a participa\u00e7\u00e3o de um homem (concep\u00e7\u00e3o virginal), como na profecia de Isa\u00edas: \u201cEis que a <em>Virgem<\/em> conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho que se chamar\u00e1 Emanuel\u201d (Is 7,14). \u00a0Maria fez posteriormente a op\u00e7\u00e3o de se manter virgem (virgindade perp\u00e9tua), e \u00e9 favorecida com o milagre no momento do nascimento de Jesus (virgindade no parto), pois o nascimento de Cristo \u201cn\u00e3o diminuiu, antes consagrou a<br \/>\nintegridade virginal\u201d da sua M\u00e3e. (LG<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> 57)<\/p>\n<p>A Igreja afirma: \u201cReal e perp\u00e9tua virgindade mesmo no ato de dar \u00e0 luz o Filho de Deus feito homem\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Assim \u00e9 com, a proclama\u00e7\u00e3o do Dogma no II Conc\u00edlio de Constantinopla (553), sob o papado de Virg\u00edlio (537 a 555), condenado tr\u00eas autores do s\u00e9culo V: Teodoro de Mopsu\u00e9stia, Teodoreto de Ciro e Ilbas de Edessa, que negavam os t\u00edtulos de M\u00e3o de Deus e Maria Sant\u00edssima (sempre virgem: <em>\u00e1eiparth\u00e9nos<\/em>). Por fim:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO olhar da f\u00e9 pode descobrir, em liga\u00e7\u00e3o com o conjunto da Revela\u00e7\u00e3o, as raz\u00f5es misteriosas pelas quais Deus, no seu des\u00edgnio salv\u00edfico, quis que o seu Filho nascesse duma virgem. Tais raz\u00f5es dizem respeito tanto \u00e0 pessoa e miss\u00e3o redentora de Cristo como ao acolhimento dessa miss\u00e3o por Maria, para bem de todos os homens\u201d. (CIC<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> 502)<\/p>\n<p>E ainda: \u201cJesus, o novo Ad\u00e3o, inaugura, pela sua concei\u00e7\u00e3o virginal, o novo nascimento dos filhos de adop\u00e7\u00e3o, no Esp\u00edrito Santo, pela f\u00e9, \u201cComo ser\u00e1 isso?\u201d <em>(Lc <\/em>1, 34). A participa\u00e7\u00e3o na vida divina n\u00e3o procede \u201cdo sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus\u201d (<em>Jo <\/em>1, 13)\u201d. (CIC 505)<\/p><\/blockquote>\n<p>Apresentamos um dos argumentos b\u00edblicos que certificam a compreens\u00e3o de que Maria n\u00e3o teve mais filhos. Quando a Sagrada Escritura cita os \u201cirm\u00e3os de Jesus\u201d, Santo Agostinho e Epif\u00e2nio, nos s\u00e9culos IV e V, defendem que estes s\u00e3o primos de Jesus. Eles aproximam o texto de Mc 15,40, onde cita a m\u00e3e de Tiago e Jo\u00e3o longe da cruz, com Jo 19,25, que lembra a presen\u00e7a junto \u00e0 cruz de uma irm\u00e3 de Maria. Agostinho considera que a m\u00e3e de Tiago e Jo\u00e3o, conforme Marcos, \u00e9 a irm\u00e3 de Maria citada por Jo\u00e3o. Ou seja: Tiago e Jo\u00e3o, chamados \u201cirm\u00e3os de Jesus\u201d, s\u00e3o filhos da irm\u00e3 de Maria. Logo, primos consangu\u00edneos de Jesus.<\/p>\n<p>O Dogma da <strong>Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, <\/strong>por sua vez, proclama que Maria foi totalmente isenta de pecado e plena de gra\u00e7a quando concebida por seus pais, Santa Ana e S\u00e3o Joaquim. Com este dogma aprendemos que h\u00e1 interven\u00e7\u00e3o direta de Deus no mundo ao preservar a M\u00e3e do Salvador do pecado original, desde o primeiro momento de sua exist\u00eancia: \u201cO anjo entrou onde ela estava e disse: Alegra-te, cheia de gra\u00e7a! O Senhor est\u00e1 contigo\u201d (Lc 1,28). Deus mesmo sa\u00fada Maria sempre cheia (plena) da gra\u00e7a divina<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>: <em>kecaritwmene,<\/em> atrav\u00e9s do Anjo Gabriel.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c(&#8230;) para que n\u00e3o perecesse o homem impelido pela culpa da ast\u00facia da maldade diab\u00f3lica e para que o que fez cair o primeiro Ad\u00e3o fosse restaurado mais felizmente posteriormente, chamada e escolhida, desde o principio e antes dos tempos, uma M\u00e3e, para que seu Filho Unig\u00eanito, feito sua carne, nascesse na feliz plenitude dos tempos, em tanto querer a amou acima de todas as criaturas, que somente nela se encontrou sua grande benevol\u00eancia\u201d. <em>Inefabilis<\/em> <em>Deus, 4<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Acrescenta a este argumento b\u00edblico o verso de C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos: \u201cTu \u00e9s formosa, meu amor, n\u00e3o h\u00e1 mancha em ti\u201d (4,7). Para indicar que Jesus foi concebido no ventre puro de Maria: \u201cFar\u00e1s uma arca de madeira de ac\u00e1cia, com cento e vinte e cinco cent\u00edmetros de comprimento, por setenta e cinco de largura e setenta e cinco de altura. Revestir\u00e1s a arca de ouro puro, por dentro e por fora. Em volta por\u00e1s uma moldura de ouro\u201d. Ainda: \u201cAssim fiz uma arca de madeira incorrupt\u00edvel\u201d (Dt 10,3). Sabemos que Maria \u00e9 a \u201cArca da Nova Alian\u00e7a\u201d (Ap 11,19).<\/p>\n<p>Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio X em 1854, atrav\u00e9s da Constitui\u00e7\u00e3o <em>Inefabilis<\/em> <em>Deus<\/em>, promulgado em 08 de dezembro de 1854. Nesse dia, 08 de dezembro, \u00e9 celebrada a festa da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 tinha sido definida inicialmente pelo Papa Sisto IV, em 1476.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAntiga, por certo, \u00e9 a piedade dos fi\u00e9is crist\u00e3os para com a sant\u00edssima M\u00e3e Virgem Maria, que sentem que sua alma, no primeiro instante de sua cria\u00e7\u00e3o e infus\u00e3o no corpo, foi preservada imune da mancha do pecado original, por singular gra\u00e7a e privil\u00e9gio de Deus, na aten\u00e7\u00e3o aos m\u00e9ritos de seu Filho Jesus Cristo, redentor do g\u00eanero humano e que, neste sentido, veneram e celebram com solene cerim\u00f4nia a festa de sua Concep\u00e7\u00e3o\u201d. (Const. &#8220;Sollicitudo omnium Ecclesiarum&#8221;, 8 de dezembro de 1661).<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim, para entender o dogma ressaltamos o que, de fato, \u00e9 o pecado original: h\u00e1 uma for\u00e7a negativa (Concupisc\u00eancia, para Santo Agostinho) que atinge o ser humano na sua constitui\u00e7\u00e3o mais profunda. N\u00e3o \u00e9 simplesmente uma mancha, algo externo. Previamente \u00e0 decis\u00e3o livre, que pode ser orientada para o bem e para o mal. Manifesta-se como uma situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o salva\u00e7\u00e3o, de escravid\u00e3o, de tend\u00eancia para o pecado. Esta fraqueza e inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 um condicionamento negativo em conex\u00e3o com toda a comunidade humana no correr da hist\u00f3ria. Assim precisamos da gra\u00e7a de Cristo, que cura, eleva e orienta para Deus, retomando sua plena rela\u00e7\u00e3o com a humanidade: Ele nos <em>salva de algo<\/em> (do pecado e dos males) <em>para algo <\/em>(seguir a Jesus para que, \u00edntimos dele, alcancemos o c\u00e9u).<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso pouco tempo depois desta proclama\u00e7\u00e3o, em 1858, Nossa Senhora apareceria a uma jovem camponesa de Lourdes, na Fran\u00e7a, dizendo ser a \u201cImaculada Concei\u00e7\u00e3o\u201d. Maria assim recebe o dom pleno da gra\u00e7a; com liberdade para acolher a proposta divina, nela n\u00e3o se encontra competi\u00e7\u00e3o com Deus. \u00c9 mais do que optar por Deus ou atrav\u00e9s do livre-arb\u00edtrio fazer uma escolha por Ele. Essa \u201cliberdade\u201d \u00e9 a mesmo tempo dom, recebido gratuitamente de Deus, e conquista, cultivada dia a dia, confirmada em cada op\u00e7\u00e3o, a ponto fazer do projeto de vida (grego: <em>rema<\/em>) de Deus, o seu.<\/p>\n<p>N\u00e3o esteve protegida das crises e dificuldades, pois bem conhecemos as narrativas dos Evangelhos; ainda assim seu caminho de Santidade se torna diferente do nosso (converter-se: abandonar o mal para o bem). Ela trilha os caminhos do Senhor do Bem, para alcan\u00e7ar um Bem maior. Aqui ela altera o conceito de privil\u00e9gio: algu\u00e9m com poder, fama ou intelig\u00eancia tende a distanciar-se dos outros e subestim\u00e1-los. Maria ensina que tudo o que recebemos de Deus se destina a ampliar a rede do Bem, colocar-se a servi\u00e7o do Reino de Deus: \u201cMaria ficou tr\u00eas meses com Isabel. Depois, voltou para sua casa\u201d (Lc 1,56). Vai at\u00e9 sua prima para contar a Boa Nova recebida e ajudar Isabel na sua gravidez.<\/p>\n<p>Enfim, o dogma da <strong>Assun\u00e7\u00e3o de Maria<\/strong>. A Igreja professa com esta bela verdade de f\u00e9 que o c\u00e9u \u00e9 nosso lugar glorioso, no qual Deus nos espera e glorifica-nos pela f\u00e9 que vivemos. \u00a0Ela j\u00e1 era tratada desde os s\u00e9culos V e VI, quando havia uma celebra\u00e7\u00e3o denominada de \u201cdormi\u00e7\u00e3o de Maria\u201d. Desse modo, Deus n\u00e3o permitiu que o corpo em que seu Filho foi gerado, fosse corrompido pela natureza humana, ou seja, \u201ca vit\u00f3ria sobre o pecado tem como consequ\u00eancia a vit\u00f3ria sobre a morte, que \u00e9 o sal\u00e1rio do pecado\u201d (Rm 6,23).<\/p>\n<blockquote><p>\u201cFinalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao c\u00e9u em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte\u201d. (CIC, 966)<\/p><\/blockquote>\n<p>No quarto Evangelho, na cena da cruz, \u00e9 enfatizado um sentido teol\u00f3gico (como vimos na explica\u00e7\u00e3o sobre sua Virgindade) e outro hist\u00f3rico, onde Maria \u00e9 adotada pela comunidade crist\u00e3 (Jo,27), nascida do lado aberto de Jesus. Lucas narra que ela estava junto com o grupo que se preparava para a vinda do Esp\u00edrito Santo (At 1,13 e 2,1). Sua presen\u00e7a \u00e9 como m\u00e3e e disc\u00edpula ap\u00f3s a Ascen\u00e7\u00e3o de seu Filho ao c\u00e9u. Um monge oriental, Epif\u00e2nio (sec. VIII), afirma que ela residia em Jerusal\u00e9m, na casa de Jo\u00e3o, no monte Si\u00e3o, numa comunidade com outras pessoas (cf. <em>vida de Maria, art. 26<\/em>)<em>. <\/em>Outras tradi\u00e7\u00f5es declaram que Maria viveu em \u00c9feso, com Jo\u00e3o, ap\u00f3s o cerco da destrui\u00e7\u00e3o em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Alguns te\u00f3logos ainda citam outros textos da Sagrada Escritura para fundamentar esta proclama\u00e7\u00e3o da f\u00e9. \u201cErguei-vos, Senhor, para o vosso repouso, v\u00f3s e a Arca de vossa santifica\u00e7\u00e3o\u201d (Sl\u00a0131, 8). Descrevem a entrada triunfal da Rainha na corte celeste, e como vai sentar \u00e0 direita do Divino Redentor (Sl 44,10.14-16). Recordam a esposa dos cantares \u201cque sobe pelo deserto, como uma coluna de mirra e incenso\u201d, para ser coroada (Ct3,6; 4,8 e 6,9). Ambas cita\u00e7\u00f5es apresentam a imagem daquela rainha e Esposa celestial, que sobe ao c\u00e9u com o seu Divino Esposo.<\/p>\n<p>Os padres da Igreja j\u00e1 apresentavam argumentos substanciosos a respeito da coroa\u00e7\u00e3o da vida de Maria, glorificada pelo Pai atrav\u00e9s de sua Gloriosa Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cConvinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabern\u00e1culos. Convinha que morasse no t\u00e1lamo celestial aquela que o Eterno Pai desposara. Convinha que aquela que viu o seu Filho na cruz, com o cora\u00e7\u00e3o traspassado por uma espada de dor de que tinha sido imune no parto, contemplasse assentada \u00e0 direita do Pai.\u201d (Jo\u00e3o Damasceno, <em>Encomium in Dormitionem Dei Genetricis semperque Virginis Mariae<\/em>, hom. II, 14)<\/p><\/blockquote>\n<p>Por fim, essa doutrina foi definida dogmaticamente pelo Papa Pio XII na\u00a0Constitui\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Munificentissimus Deus<\/em>, em 1\u00ba de novembro de 1950, no p\u00f3s-segunda guerra mundial. \u00c9 uma luz neste tempo, ressaltando a santidade de vida e a dignidade do corpo como templo do Esp\u00edrito Santo, lembrando sua designa\u00e7\u00e3o \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cDepois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Esp\u00edrito da Verdade, para gl\u00f3ria de Deus onipotente, que outorgou \u00e0 Virgem Maria sua peculiar benevol\u00eancia; para honra do seu Filho, Rei imortal dos s\u00e9culos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a gl\u00f3ria da mesma augusta M\u00e3e e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados ap\u00f3stolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada M\u00e3e de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma \u00e0 gl\u00f3ria do c\u00e9u.\u201d (<em>Munificentissimus Deu, 44). <\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em>Assim Ela, que n\u00e3o conheceu a corrup\u00e7\u00e3o do pecado, n\u00e3o havia de conhecer a corrup\u00e7\u00e3o do sepulcro. Pois sabemos que as leis da natureza n\u00e3o podem limitar o poder e a vontade Divina. Habitando o Salvador em seu ventre, n\u00e3o \u00e9 acorrentada pela morte, e alcan\u00e7a plenamente a promessa da gl\u00f3ria do c\u00e9u, sendo assunta em corpo e alma.<\/p>\n<h4>Padre Ivan Soares<\/h4>\n<h4><em>Diretor Espiritual do Secretariado de Itapetininga<\/em><\/h4>\n<p>____________________________________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a>*Padre Ivan Soares \u00e9 presb\u00edtero da Diocese de Itapetininga, sendo diretor espiritual do Movimento de Ema\u00fas, neste mesmo territ\u00f3rio eclesi\u00e1stico.<\/p>\n<p>[1] Do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Latim\">latim<\/a>\u00a0<em>haer\u0115sis<\/em>, por sua vez do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/L%C3%ADngua_grega_antiga\">grego<\/a>\u00a0\u03b1\u1f35\u03c1\u03b5\u03c3\u03b9\u03c2, \u201cescolha\u201d ou \u201cop\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 a doutrina ou linha de pensamento contr\u00e1ria ou diferente de um credo crist\u00e3o (ou sistema de um ou mais credos religiosos). Deturpa\u00e7\u00e3o do que \u00e9 declarado como ortodoxia da f\u00e9 cat\u00f3lica. A quem funda uma heresia d\u00e1-se o nome de\u00a0herege.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 90<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> S\u00e3o crist\u00e3os leigos, sacerdotes, judeus crist\u00e3os, Bispos e outros respons\u00e1veis por escolas catequ\u00e9ticas (no s\u00e9culo I) na qual por cartas e homilias com car\u00e1ter pastoral e lit\u00fargico instruem a suas comunidades. Exorta \u00e0 unidade, organiza\u00e7\u00e3o da Igreja, a convers\u00e3o, penitencia e at\u00e9 o mart\u00edrio.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> J\u00e1 possuem um car\u00e1ter mais defensivo da f\u00e9 (no s\u00e9culo II), diante dos advers\u00e1rios: judeus e pag\u00e3os her\u00e9ticos, arianos e gn\u00f3sticos que est\u00e3o na Igreja acusando-a: incesto, ritos antropof\u00e1gicos, crer na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Temas dos escritos em geral: cristol\u00f3gicos no intuito de formula\u00e7\u00e3o da doutrina diante das v\u00e1rias teorias.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Um Conc\u00edlio Geral consiste numa reuni\u00e3o formal de representantes da Igreja, junto com o Papa (mas nem sempre), para tomar decis\u00f5es dogm\u00e1ticas e pastorais, que possam ajudar no crescimento da Igreja, na elimina\u00e7\u00e3o dos erros e na difus\u00e3o das verdades da f\u00e9. Em dois mil anos de exist\u00eancia, a Igreja reconhece 21 Conc\u00edlios Gerais e ainda acrescenta o chamado \u201cConc\u00edlio de Jerusal\u00e9m\u201d, reuni\u00e3o narrada nos Atos dos Ap\u00f3stolos (At 15,1-40), como parte da Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e dos seus ensinamentos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Fonte: abiblia.org.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia, 325.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Conc\u00edlio de Calced\u00f4nia, em 451.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> O termo \u201cgn\u00f3stico\u201d adquiriu sentido pejorativo quando foi aplicado pelos Padres da Igreja a certos hereges que tiveram not\u00e1vel relevo entre os s\u00e9culos II e IV. O primeiro em design\u00e1-los assim foi s\u00e3o Irineu, que v\u00ea a sua origem na heresia de Sim\u00e3o o samaritano (Atos 9, 9-24), e diz que os seguidores desse herege se propagaram pela Alexandria, \u00c1sia Menor e Roma dando lugar a \u201cuma multid\u00e3o de gn\u00f3sticos que emergem do solo como se fossem fungos\u201d (<em>Adversus Haereses<\/em>,I, 29.1). Ensinavam O Deus verdadeiro, segundo eles, n\u00e3o era o Criador do Antigo Testamento; distinguiam diversos Cristos entre os seres do mundo celeste (\u00e9ons). Esses gn\u00f3sticos valencianos julgavam que a salva\u00e7\u00e3o era obtida pelo conhecimento de si mesmo, como uma centelha de luz divina contida na mat\u00e9ria; julgavam, ainda, que a reden\u00e7\u00e3o de Cristo consiste em despertar-nos para esse conhecimento; e que apenas os homens espirituais (pneumatikoi) est\u00e3o destinados \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 um erro, pois a Igreja considera a f\u00e9 como ponto de partida para a Salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> <em>Lumen Gentium<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 499.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Por isso, S\u00e3o Jer\u00f4nimo conhecedor do grego, traduziu o termo &#8220;kekharit\u00f4men\u00ea&#8221; por &#8220;Gratia Plena &#8220;, &#8220;plena de gra\u00e7a&#8221; em latim.<\/p>\n<p><span style=\"color: #999999;\"><em>Photo by\u00a0<a style=\"color: #999999;\" href=\"https:\/\/unsplash.com\/@matfelipe?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Mateus Campos Felipe<\/a>\u00a0on\u00a0<a style=\"color: #999999;\" href=\"https:\/\/unsplash.com\/s\/photos\/our-lady-mary-fatima?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse texto faz parte da nossa s\u00e9rie de artigos catequ\u00e9ticos que ser\u00e3o publicados todas \u00e0s quartas do m\u00eas de Maio sobre Maria. O que S\u00e3o Dogmas? S\u00e3o verdades de f\u00e9 declaradas por um Conc\u00edlio ou por um Papa, que o fiel acolhe e, crendo, professa. N\u00e3o \u00e9 imposi\u00e7\u00e3o da Igreja, mas s\u00e3o esclarecimentos estudados e analisados sobre um assunto que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil compreender, devido a verdades complexas que fazem parte da revela\u00e7\u00e3o divina. Em geral, recorre-se aos conceitos filos\u00f3ficos e jur\u00eddicos, uma vez que h\u00e1 in\u00fameras heresias[1] que explicam, com julgamentos opinativos desvirtuados, assemelhados a tal verdade de f\u00e9, mas que n\u00e3o condizem verdadeiramente com o pensamento eclesial (da Igreja). O Magist\u00e9rio da Igreja faz pleno uso da autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto \u00e9, quando prop\u00f5e, dum modo que obriga o povo crist\u00e3o a uma ades\u00e3o irrevog\u00e1vel de f\u00e9, verdades contidas na Revela\u00e7\u00e3o divina ou quando prop\u00f5em de modo definitivo, verdades que tenham com elas um nexo necess\u00e1rio. A interliga\u00e7\u00e3o e a coer\u00eancia dos dogmas podem encontrar-se no conjunto da revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de Cristo. (Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, p. 88 e 90) Ap\u00f3s declarar o dogma (do grego: decis\u00e3o), se manifesta publicamente o que \u00e9 professado pela Igreja. Quando \u00e9 questionada, responde sem divaga\u00e7\u00f5es est\u00e9reis, a partir do senso comum; mas recorre \u00e0quilo que j\u00e1 foi decidido h\u00e1 s\u00e9culos: \u201cAntes, declarai santo, em vossos cora\u00e7\u00f5es, o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar a raz\u00e3o da vossa esperan\u00e7a a todo aquele que a pedir. Fazei-o, por\u00e9m, com mansid\u00e3o e respeito e com boa consci\u00eancia.\u201d (Pd 3,15-16). Durante esta hist\u00f3ria de constantes encal\u00e7os: mentiras, difama\u00e7\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es, atentados, guerras&#8230; sem fraquejar a Igreja, impulsionada pelo Esp\u00edrito Santo, tomou decis\u00f5es, depois de prolongadas consultas &#8211; at\u00e9 mesmo durante s\u00e9culos &#8211; para salvaguardar o tesouro da F\u00e9. H\u00e1 cerca de 44 dogmas atuais para dar testemunho ao mundo, a quem servimos. S\u00e3o subdivididos em 8 categorias diferentes (hierarquia das verdades)[2] \u2013 sobre Deus; sobre Jesus Cristo; sobre a cria\u00e7\u00e3o do mundo; sobre o ser humano; sobre o Papa e a Igreja; sobre os sacramentos; sobre as \u00faltimas coisas; sobre Maria. Assim, um dogma quando proclamado, utiliza a linguagem e vis\u00e3o de mundo pr\u00f3prias de sua \u00e9poca e contexto hist\u00f3rico, a fim de que seus contempor\u00e2neos entendam o que professam. A formula\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica do cristianismo, ap\u00f3s os primeiros padres da Igreja &#8211; apost\u00f3licos[3] e apologetas[4] &#8211; necessitou de literaturas em defesa da f\u00e9, ao passo que o s\u00e9culo III presenciou j\u00e1 o nascimento de uma ci\u00eancia teol\u00f3gica. Nos s\u00e9culos que se seguiram \u00e0 convers\u00e3o do mundo antigo, foi definida com precis\u00e3o a doutrina acerca de verdades fundamentais crist\u00e3s. Formulou-se a doutrina dogm\u00e1tica sobre a Sant\u00edssima Trindade, o Mist\u00e9rio de Cristo e a Gra\u00e7a. Era essencial, devido \u00e0 expans\u00e3o geogr\u00e1fica do cristianismo (ultrapassando os limites urbanos, a evangeliza\u00e7\u00e3o atinge os camponeses), para esclarecer, de forma precisa, qual era a f\u00e9 da Igreja em meio a tantas literaturas individuais que tentavam explicar a revela\u00e7\u00e3o divina. Por exemplo, uma heresia, o Macedonismo: \u00a0Maced\u00f4nio, bispo de Constantinopla, defendia que o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o era Deus, mas mera criatura do Pai. Ela foi condenada no Conc\u00edlio de Constantinopla II (381), que ensinou ser o Esp\u00edrito Santo uma Pessoa divina. \u201cCreio no Esp\u00edrito Santo, Senhor que d\u00e1 a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho \u00e9 adorado e glorificado\u201d (S\u00edmbolo Niceno-Constantinopolitano). Assim, j\u00e1 sabemos a defini\u00e7\u00e3o de dogma, e que se proclama num Conc\u00edlio[5]. Necess\u00e1rio \u00e9 tamb\u00e9m encontrar um texto b\u00edblico como fonte para solidificar o dogma. O que s\u00e3o Dogmas Marianos? As verdades sobre a maternidade divina, a virgindade, a Imaculada concei\u00e7\u00e3o e Assun\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o a palavra inicial nem a palavra final, pois n\u00e3o podemos desconsiderar a viv\u00eancia primeira de Maria de Nazar\u00e9, sua exist\u00eancia humana. Compreendamos que os dogmas \u201cmariais\u201d j\u00e1 faziam parte da hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, estavam nos planos de Deus antes de toda a cria\u00e7\u00e3o; depois, em g\u00e9rmen (origem), nas narrativas do Novo Testamento, e desenvolvida na Tradi\u00e7\u00e3o Eclesial. \u00c9 importante ressaltar a maneira na qual dirigimos nosso culto a Maria, para n\u00e3o sucatear ou omitir a nossa f\u00e9. Quem nunca foi questionado: \u201cOs cat\u00f3licos adoram Maria como Deus?\u201d. Esclare\u00e7amos: h\u00e1 uma diferen\u00e7a na forma dos cultos, uma delas \u00e9 a dulia (grego:\u00a0\u03b4\u03bf\u03c5\u03bb\u03b5\u03b9\u03b1, \u201cdouleuo\u201d),\u00a0que significa honra e culto de venera\u00e7\u00e3o\u00a0devotado aos\u00a0santos como amigos de Deus. \u00c9 comprova\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio das virtudes crist\u00e3s da Igreja; convite a seguir a vida do santo. O Patriarca\u00a0S\u00e3o Jos\u00e9\u00a0\u00e9 considerado o primeiro dos santos, sendo ensinado o culto de\u00a0protodulia. S\u00e3o Jos\u00e9 tornou-se patrono universal da Igreja, proclamado como tal pelo Papa Pio IX em 1870. A latria (grego: \u03bb\u03b1\u03c4\u03c1\u03b5\u03b9\u03b1 \u201clatreuo\u201c) \u00e9 o culto que se deve somente a Deus, e consiste em reconhecer nele a divindade, prestando uma homenagem absoluta e suprema, como criador e redentor dos homens. Ou seja, admiti-lo como o Senhor de todas as coisas e criador de todos n\u00f3s: \u201cTu adorar\u00e1s o teu Deus\u201d (Mt 4, 10). \u201cAbra\u00e3o, levantando os olhos, viu tr\u00eas var\u00f5es em p\u00e9, junto a ele. Tanto que ele os viu, correu da porta da tenda a receb\u00ea-los e prostrando em terra os adorou\u201d (Gn. 18,2). Culto de hiperdulia\u00a0(grego:\u00a0\u03c5\u03c0\u03b5\u03c1\u03b4\u03bf\u03c5\u03bb\u03b5\u03b9\u03b1 hyper, acima de;\u00a0douleuo, honra) \u00e9 acima do culto de honra, sem atingir o culto de adora\u00e7\u00e3o. \u00c9 o culto especial devido a Maria Sant\u00edssima como\u00a0M\u00e3e de Deus, ou em seus diversos t\u00edtulos e apari\u00e7\u00f5es. Portanto, venera\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser confundida com\u00a0idolatria,\u00a0n\u00e3o no sentido da palavra e muito menos da pr\u00e1tica. Mais um ponto importante \u00e9 que n\u00e3o se devem misturar os exerc\u00edcios de piedade popular com a Doutrina oficial da Santa Igreja Cat\u00f3lica; e a reta observa\u00e7\u00e3o da doutrina, n\u00e3o implica em desrespeitar Nossa Senhora[6]. Quais s\u00e3o os Dogmas Marianos? V\u00e1rios padres da Igreja (apost\u00f3licos e apologistas, tal supracitado) j\u00e1 se referiam a Maria como Mater Dei (em latim), M\u00e3e de Deus. Assim foi o caso de In\u00e1cio (ano 107), Or\u00edgenes (254), Atan\u00e1sio (330) e Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo (400). Os cat\u00f3licos recorrem \u00e0 Maria, durante a hist\u00f3ria, como M\u00e3e de Deus e m\u00e3e dos crist\u00e3os. Surge uma pergunta: \u00e9 poss\u00edvel uma criatura ser m\u00e3e do Criador? Encontro uma primeira resposta em Marcos, que chama Jesus \u201cFilho de Maria\u201d (Mc 6,3); Mateus, referindo-se \u00e0 origem de Jesus, chama-a de \u201cMaria, sua m\u00e3e\u201d (Mt 1,18); em Lucas, o anjo anuncia a futura m\u00e3e de Jesus (Lc 1, 26-38); e em Jo\u00e3o, \u00e9 citada a \u201cm\u00e3e de Jesus\u201d (Jo 2,1). Em luta contra a heresia nestoriana: narra que Jesus tinha duas naturezas: uma humana[7] e outra divina &#8211; at\u00e9 aqui \u00e9 profiss\u00e3o de nossa f\u00e9 &#8211; mas que Maria seria apenas m\u00e3e de Cristo como homem. Assim Or\u00edgenes (254), Atan\u00e1sio (330) e Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo (400) atribuem a Maria o t\u00edtulo de Theot\u00f3kos (em grego): parturiente de Deus ou M\u00e3e de Deus. Uma ora\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo III come\u00e7a assim: \u201cSob a tua prote\u00e7\u00e3o nos refugiamos \u00f3 Theot\u00f3kos\u201d. \u00c9 definido no Conc\u00edlio de \u00c9feso, em 431, a Maternidade Divina: pois Jesus \u00e9 verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus[8]. Maria \u00e9 m\u00e3e de Deus feito homem (Jesus) logo, Maria \u00e9 M\u00e3e de Deus. A Virgindade Perp\u00e9tua \u00e9 professada pela Igreja: antes, durante e depois do parto. Pergunta: Como \u00e9 poss\u00edvel engravidar sem a rela\u00e7\u00e3o sexual? Algumas tend\u00eancias gn\u00f3sticas[9] dentro do cristianismo achavam que Jesus era filho de Jos\u00e9. Os evangelhos de Mateus e Lucas narram que a concep\u00e7\u00e3o de Jesus aconteceu por obra do Esp\u00edrito Santo, sem a participa\u00e7\u00e3o de um homem (concep\u00e7\u00e3o virginal), como na profecia de Isa\u00edas: \u201cEis que a Virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho que se chamar\u00e1 Emanuel\u201d (Is 7,14). \u00a0Maria fez posteriormente a op\u00e7\u00e3o de se manter virgem (virgindade perp\u00e9tua), e \u00e9 favorecida com o milagre no momento do nascimento de Jesus (virgindade no parto), pois o nascimento de Cristo \u201cn\u00e3o diminuiu, antes consagrou a integridade virginal\u201d da sua M\u00e3e. (LG[10] 57) A Igreja afirma: \u201cReal e perp\u00e9tua virgindade mesmo no ato de dar \u00e0 luz o Filho de Deus feito homem\u201d[11]. Assim \u00e9 com, a proclama\u00e7\u00e3o do Dogma no II Conc\u00edlio de Constantinopla (553), sob o papado de Virg\u00edlio (537 a 555), condenado tr\u00eas autores do s\u00e9culo V: Teodoro de Mopsu\u00e9stia, Teodoreto de Ciro e Ilbas de Edessa, que negavam os t\u00edtulos de M\u00e3o de Deus e Maria Sant\u00edssima (sempre virgem: \u00e1eiparth\u00e9nos). Por fim: \u201cO olhar da f\u00e9 pode descobrir, em liga\u00e7\u00e3o com o conjunto da Revela\u00e7\u00e3o, as raz\u00f5es misteriosas pelas quais Deus, no seu des\u00edgnio salv\u00edfico, quis que o seu Filho nascesse duma virgem. Tais raz\u00f5es dizem respeito tanto \u00e0 pessoa e miss\u00e3o redentora de Cristo como ao acolhimento dessa miss\u00e3o por Maria, para bem de todos os homens\u201d. (CIC[12] 502) E ainda: \u201cJesus, o novo Ad\u00e3o, inaugura, pela sua concei\u00e7\u00e3o virginal, o novo nascimento dos filhos de adop\u00e7\u00e3o, no Esp\u00edrito Santo, pela f\u00e9, \u201cComo ser\u00e1 isso?\u201d (Lc 1, 34). A participa\u00e7\u00e3o na vida divina n\u00e3o procede \u201cdo sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus\u201d (Jo 1, 13)\u201d. (CIC 505) Apresentamos um dos argumentos b\u00edblicos que certificam a compreens\u00e3o de que Maria n\u00e3o teve mais filhos. Quando a Sagrada Escritura cita os \u201cirm\u00e3os de Jesus\u201d, Santo Agostinho e Epif\u00e2nio, nos s\u00e9culos IV e V, defendem que estes s\u00e3o primos de Jesus. Eles aproximam o texto de Mc 15,40, onde cita a m\u00e3e de Tiago e Jo\u00e3o longe da cruz, com Jo 19,25, que lembra a presen\u00e7a junto \u00e0 cruz de uma irm\u00e3 de Maria. Agostinho considera que a m\u00e3e de Tiago e Jo\u00e3o, conforme Marcos, \u00e9 a irm\u00e3 de Maria citada por Jo\u00e3o. Ou seja: Tiago e Jo\u00e3o, chamados \u201cirm\u00e3os de Jesus\u201d, s\u00e3o filhos da irm\u00e3 de Maria. Logo, primos consangu\u00edneos de Jesus. O Dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, por sua vez, proclama que Maria foi totalmente isenta de pecado e plena de gra\u00e7a quando concebida por seus pais, Santa Ana e S\u00e3o Joaquim. Com este dogma aprendemos que h\u00e1 interven\u00e7\u00e3o direta de Deus no mundo ao preservar a M\u00e3e do Salvador do pecado original, desde o primeiro momento de sua exist\u00eancia: \u201cO anjo entrou onde ela estava e disse: Alegra-te, cheia de gra\u00e7a! O Senhor est\u00e1 contigo\u201d (Lc 1,28). Deus mesmo sa\u00fada Maria sempre cheia (plena) da gra\u00e7a divina[13]: kecaritwmene, atrav\u00e9s do Anjo Gabriel. \u201c(&#8230;) para que n\u00e3o perecesse o homem impelido pela culpa da ast\u00facia da maldade diab\u00f3lica e para que o que fez cair o primeiro Ad\u00e3o fosse restaurado mais felizmente posteriormente, chamada e escolhida, desde o principio e antes dos tempos, uma M\u00e3e, para que seu Filho Unig\u00eanito, feito sua carne, nascesse na feliz plenitude dos tempos, em tanto querer a amou acima de todas as criaturas, que somente nela se encontrou sua grande benevol\u00eancia\u201d. Inefabilis Deus, 4 Acrescenta a este argumento b\u00edblico o verso de C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos: \u201cTu \u00e9s formosa, meu amor, n\u00e3o h\u00e1 mancha em ti\u201d (4,7). Para indicar que Jesus foi concebido no ventre puro de Maria: \u201cFar\u00e1s uma arca de madeira de ac\u00e1cia, com cento e vinte e cinco cent\u00edmetros de comprimento, por setenta e cinco de largura e setenta e cinco de altura. Revestir\u00e1s a arca de ouro puro, por dentro e por fora. Em volta por\u00e1s uma moldura de ouro\u201d. Ainda: \u201cAssim fiz uma arca de madeira incorrupt\u00edvel\u201d (Dt 10,3). Sabemos que Maria \u00e9 a \u201cArca da Nova Alian\u00e7a\u201d (Ap 11,19). Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio X em 1854, atrav\u00e9s da Constitui\u00e7\u00e3o Inefabilis Deus, promulgado em 08 de dezembro de 1854. Nesse dia, 08 de dezembro, \u00e9 celebrada a festa da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 tinha sido definida inicialmente pelo Papa Sisto IV, em 1476. \u201cAntiga, por certo, \u00e9 a piedade dos fi\u00e9is crist\u00e3os para com a sant\u00edssima M\u00e3e Virgem Maria, que sentem que sua alma, no primeiro instante de sua cria\u00e7\u00e3o e infus\u00e3o no corpo, foi preservada imune da mancha do pecado original, por singular gra\u00e7a e privil\u00e9gio de Deus, na aten\u00e7\u00e3o aos m\u00e9ritos de seu Filho Jesus Cristo, redentor do g\u00eanero humano e que, neste sentido, veneram e celebram com solene cerim\u00f4nia a festa de sua Concep\u00e7\u00e3o\u201d. (Const. &#8220;Sollicitudo omnium Ecclesiarum&#8221;, 8 de dezembro de 1661)&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":892,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[39,33,29],"class_list":["post-891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-catequese","tag-diretor-espiritual","tag-padre-ivan"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=891"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":893,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/891\/revisions\/893"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/media\/892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}