{"id":926,"date":"2020-06-24T17:30:54","date_gmt":"2020-06-24T20:30:54","guid":{"rendered":"http:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/?p=926"},"modified":"2020-06-24T00:37:06","modified_gmt":"2020-06-24T03:37:06","slug":"catequese-memorias-de-um-cantor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/2020\/06\/24\/catequese-memorias-de-um-cantor\/","title":{"rendered":"Catequese: Mem\u00f3rias de um Cantor de Ema\u00fas"},"content":{"rendered":"<h3><em>&#8220;Hoje minha alma est\u00e1 em festa, n\u00e3o h\u00e1 mesa como esta, sempre h\u00e1 p\u00e3o pra se partir. Minha alma \u00e9 aquela aldeia, meu amor, a estalagem, Ema\u00fas enfim sou eu. (P\u00f4r do Sol em Ema\u00fas)&#8221;<\/em><\/h3>\n<blockquote><p>Esse texto faz parte da nossa s\u00e9rie de artigos catequ\u00e9ticos que ser\u00e3o publicados todas \u00e0s quartas do m\u00eas de Junho sobre Jo\u00e3o Batista e a m\u00fasica no movimento de Ema\u00fas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Senti-me extremamente lisonjeado e honrado ao ser convidado para escrever um pouco sobre minha caminhada como Cantor de Ema\u00fas, mas ao sentar-me diante do computador, percebi o tamanho do compromisso que assumi ao dizer mais um SIM ao Movimento de Ema\u00fas. Alguns anos se passaram desde que decidi que iria trabalhar sempre COM e PARA a juventude, e desde ent\u00e3o tenho vivenciado muitas experi\u00eancias positivas, algumas surpresas e, certamente, muitas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Iniciei minha caminhada um tempinho antes de passar pelo 25\u00ba Ema\u00fas Masculino da ent\u00e3o Diocese de Sorocaba, em mar\u00e7o de 1988. Ao dizer SIM para o convite de compor o \u201cFolclore\u201d do grupo de jovens Jerusal\u00e9m\u00a0 \u2013 nessa \u00e9poca os \u201ccantores\u201d eram assim denominados, comecei ent\u00e3o a conviver mais efetivamente com o pessoal do Ema\u00fas, indo sempre com minha flauta (ainda n\u00e3o me sentia seguro em \u201cpersegui-los\u201d com meu viol\u00e3o), participando das missas e outras atividades que precisassem de uma m\u00fasica para animar. Esse tempo foi de intenso aprendizado, como comunidade e como m\u00fasico, pois o n\u00edvel do folclore de Tatu\u00ed era bastante alto, n\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica, mas sobretudo espiritual.<\/p>\n<p>E eis que o momento que eu tanto esperava desde os meus 12 anos de idade chegou: finalmente iria vivenciar e conhecer o tal curso de Ema\u00fas. E que maravilha, que emo\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o poderia ser diferente, fiquei muito atento a todas as m\u00fasicas. E, posteriormente, vieram as oportunidades de voltar \u00e0 aldeia, como auxiliar de cantor.<\/p>\n<p>Tivemos nesse per\u00edodo tamb\u00e9m a realiza\u00e7\u00e3o de um Encontro Diocesano de Cantores de Ema\u00fas \u2013 Edice em Sorocaba, e na quarta ou na quinta-feira, \u00e0s v\u00e9speras portanto, uma das pessoas que estavam organizando me ligou, dizendo que o Edice seria cancelado por falta de m\u00fasicas inscritas, e se eu n\u00e3o teria composi\u00e7\u00f5es para enviar para que o evento pudesse ser realizado no domingo pr\u00f3ximo. Mais uma vez o meu SIM sendo cobrado. Ent\u00e3o, num rompante n\u00e3o sei de que, passei a noite em claro e compus, de uma s\u00f3 vez, cinco can\u00e7\u00f5es, sendo duas musicando lindas letras de um jovem poeta emauista, o Marco Aur\u00e9lio Assump\u00e7\u00e3o, e outras tr\u00eas que sa\u00edram como cascata, jorrando letra e melodia. N\u00e3o sei quanto a qualidade po\u00e9tica e musical dessas m\u00fasicas, mas foi como pude colaborar para que o Edice acontecesse. Vale a pena dizer que as m\u00fasicas n\u00e3o receberam nenhum tipo de premia\u00e7\u00e3o ou aclama\u00e7\u00e3o, mas me dei por satisfeito ao saber que minhas can\u00e7\u00f5es, juntamente com as demais, ajudaram a tornar poss\u00edvel aquele domingo festivo.<\/p>\n<p>E as lembran\u00e7as v\u00e3o surgindo, brotando vivas na mente&#8230;lembro-me de um curso em que os cantores eram Jo\u00e3o Batista &#8211; como respons\u00e1vel &#8211; e como auxiliares: Nino Zacariotto, Renato Massari e eu. Aqueles que conhecem o dign\u00edssimo respons\u00e1vel pelos cantores, sabe que ele gosta de \u201ccriar\u201d ambienta\u00e7\u00f5es musicadas, e esse curso n\u00e3o poderia ficar sem uma dessas experi\u00eancias. Nessa \u00e9poca, os cursos aconteciam na ch\u00e1cara S\u00e3o Jos\u00e9 em Sorocaba, que ainda n\u00e3o havia passado pela reforma das instala\u00e7\u00f5es, e a capela propiciava um ambiente escuro, aconchegante e acolhedor para medita\u00e7\u00f5es e ora\u00e7\u00f5es. Pois bem, num desses momentos, o respons\u00e1vel \u201ccriou\u201d o seguinte cen\u00e1rio: em frente a capela havia um sagu\u00e3o amplo, fechado, com a porta de entrada distante. Ele me disse para ir com a flauta nessa porta, portanto distante v\u00e1rios metros da capela, um viol\u00e3o no meio do sagu\u00e3o, um na porta da capela e outro j\u00e1 dentro. Como a ac\u00fastica do sagu\u00e3o era prop\u00edcia, a medida em que eu me aproximava, o som da flauta ia invadindo a capela num volume crescente, sendo acompanhado pelos viol\u00f5es, cada um por vez. O nosso querido e saudoso Eduardo Guenka, se emocionou, e saiu da capela nos xingando, dizendo que ir\u00edamos matar gente do cora\u00e7\u00e3o &#8211; assim que pudemos, foi uma risada s\u00f3.<\/p>\n<p>Outro causo que me vem \u00e0 mente, foi no primeiro curso do Secretariado Diocesano de Itapetininga, em 1998, e mais uma vez o SIM sendo posto \u00e0 prova. Tive a felicidade de ter sido convocado para servir como monitor jovem auxiliar de cantores, nesse que foi o curso hist\u00f3rico de nosso secretariado. Equipe convocada, primeira reuni\u00e3o preparat\u00f3ria, cad\u00ea o respons\u00e1vel dos cantores? Demos um jeitinho, porque <strong>poderia<\/strong> ter acontecido algum imprevisto e tudo certo. Chega a segunda reuni\u00e3o, e outra vez, aonde est\u00e1 o respons\u00e1vel pelos cantores? Ent\u00e3o o Guenka que foi o timoneiro, chega para mim e diz que iria ser obrigado a cortar o respons\u00e1vel e se eu poderia assumir como tal. Lembro-me bem que minhas palavras ao Guenka foram, resumidamente duas: se adiantaria alguma coisa eu falar N\u00c3O, e que meu SIM ao Ema\u00fas era incondicional; iria para qualquer fun\u00e7\u00e3o que fosse necess\u00e1rio. Por dentro, estava apavorad\u00edssimo porque, apesar de acumular alguns cursos, sempre estive como auxiliar, e minha timidez era o grande inimigo a ser domado. Sim, timidez, ainda que nem minha m\u00e3e, esposa e filha acreditem, eu sou extremamente t\u00edmido, sobretudo com rela\u00e7\u00e3o a cantar.<\/p>\n<p>Vieram outros cursos, outras hist\u00f3rias, muitos novos amigos, muitas surpresas, muitas experimenta\u00e7\u00f5es, como por exemplo, compor dentro do curso de Ema\u00fas. Come\u00e7amos num destes, o Edson Cebola e eu, a escrever letras conforme as palestras iam sendo realizadas. Ele escrevia um trecho e passava para mim, e vice versa; assim, muitas letras tomaram forma. Depois, nos tempos livres, tent\u00e1vamos colocar a melodia e escrever as cifras. Como resultado, temos algumas compostas, e in\u00fameras can\u00e7\u00f5es com letras e cifras que n\u00e3o nos lembramos nem se eram lentas ou mais animadas. E quando o Tiago Gon\u00e7alves, nosso querido e talentoso amigo que dispensa apresenta\u00e7\u00f5es veio para a fam\u00edlia Ema\u00fas, a\u00ed essa experi\u00eancia cresceu de maneira exponencial, a ponto de termos conseguido compor uma can\u00e7\u00e3o pelo aplicativo do celular, obviamente n\u00e3o dentro do curso, em alta madrugada, e tamb\u00e9m numa Maranatha de acolhida, enquanto uma jovem compartilhava sua experi\u00eancia do 4\u00ba dia, fomos rascunhando sobre o que ela falava e posteriormente sendo finalizada a can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para finalizar, uma lembran\u00e7a na qual preciso fazer justi\u00e7a com a linda e eterna can\u00e7\u00e3o \u201cO P\u00f4r do Sol em Ema\u00fas\u201d. Essa m\u00fasica foi composta durante um curso de Ema\u00fas em Sorocaba, por tr\u00eas pessoas iluminadas, essas que tive o prazer e a honra de me tornar amigo e mais, ter podido compartilhar momentos nos cursos em que trabalhamos juntos: o querido e saudoso padre Ricardo Dias Neto (o \u201cRica\u201d, como o cham\u00e1vamos), Jos\u00e9 Antonio Zacariotto, o \u201cNino\u201d e o Jo\u00e3o Batista Alves Floriano, o Jo\u00e3o Batista mesmo. Um belo dia, eis que o Rica me liga, contando que \u201cnossa\u201d m\u00fasica iria ser gravada pelo pessoal de Florian\u00f3polis. Eu falei a ele que era uma grande alegria, mas perguntei se ele falou \u201cnossa\u201d por ser uma m\u00fasica do nosso secretariado. E ele enfaticamente me diz que n\u00e3o, que disse isso porque, afinal, eu tamb\u00e9m era um dos compositores. Eu expliquei que isso era imposs\u00edvel, porque a m\u00fasica foi composta um ou dois cursos antes do meu. E a\u00ed ficamos no embate \u201cVoc\u00ea \u00e9 sim! Eu n\u00e3o sou!\u201d por um bom tempo. \u00a0Ele insistia que se lembrava de mim tocando flauta naquele momento. O que pude concluir foi que at\u00e9 o primeiro curso que trabalhei, \u201cO P\u00f4r do Sol em Ema\u00fas\u201d s\u00f3 tinha sido executada com viol\u00f5es, e nessa oportunidade que tive, comecei a \u201cbrincar, fazer firula\u201d com a flauta &#8211; o que o Rica adorou \u2013 e, posteriormente, at\u00e9 escreveu a partitura dessa brincadeira que fiz. Contei o fato ao Jo\u00e3o Batista e ele me disse que se o Rica me considerava como compositor por conta da firula na flauta; ele, Jo\u00e3o, n\u00e3o se opunha, e certamente o Nino, tampouco, iria ser contra; portanto, era para eu sossegar e me considerar como um dos autores. E isso ficou esquecido, at\u00e9 que recentemente, me deparo com o CD de comemora\u00e7\u00e3o do jubileu de ouro do Movimento de Ema\u00fas, no qual consta meu nome como um dos compositores, e &#8211; ironia do destino &#8211; por ter sido organizado em ordem alfab\u00e9tica, o meu vem em primeiro lugar. Gostaria de ter sido mesmo um dos criadores dessa linda p\u00e1gina do Ema\u00fas, pois tenho um carinho muito especial por ela: pela mensagem em si e pela maneira como que ela apresenta; por ter sido apresentado a ela no encerramento do meu sonhado curso; por ter tido a oportunidade de caminhar pelas estradas a Ema\u00fas com os tr\u00eas compositores; e tamb\u00e9m por ser uma das m\u00fasicas do movimento que meu pai, o Jaym\u00e3o amava. \u00a0Pronto, a verdade \u00e9 essa, n\u00e3o sou um dos pais da m\u00fasica, mas aceito ser, digamos, o \u201cpai de contrabando\u201d dela.<\/p>\n<p>Bem, ao longo desse tempo como cantor de Ema\u00fas, pude acumular viv\u00eancias e experi\u00eancias gratificantes, edificantes, e ao escrever aqui, v\u00e1rias vieram \u00e0 mente, dando aquele gostinho nost\u00e1lgico, de saudade, de momentos marcantes, de muitos risos, de algumas l\u00e1grimas e de muita, mas muita vida em Ema\u00fas.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o desculpas de n\u00e3o citar outros cantores do Ema\u00fas, para n\u00e3o correr o risco desse texto ficar enorme, mas tenho na mem\u00f3ria pelo menos um momento compartilhado com cada um deles.<\/p>\n<p>_________________________________________<\/p>\n<h4>Jayme Campos J\u00fanior &#8220;Jayminho&#8221;<\/h4>\n<h5><em>Membro do Ema\u00fas desde 1988, inicialmente no Secretariado de Sorocaba e depois Itapetininga.<\/em><\/h5>\n<h5>Especial para este site<\/h5>\n<p><span style=\"color: #999999;\"><a style=\"color: #999999;\" href=\"http:\/\/emaus.org.br\/s\/photos\/guitar?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Photo by <\/a><a style=\"color: #999999;\" href=\"https:\/\/unsplash.com\/@spensersembrat?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Spenser Sembrat<\/a><a style=\"color: #999999;\" href=\"http:\/\/emaus.org.br\/s\/photos\/guitar?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\"> on <\/a><a style=\"color: #999999;\" href=\"\/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Hoje minha alma est\u00e1 em festa, n\u00e3o h\u00e1 mesa como esta, sempre h\u00e1 p\u00e3o pra se partir. 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Ao dizer SIM para o convite de compor o \u201cFolclore\u201d do grupo de jovens Jerusal\u00e9m\u00a0 \u2013 nessa \u00e9poca os \u201ccantores\u201d eram assim denominados, comecei ent\u00e3o a conviver mais efetivamente com o pessoal do Ema\u00fas, indo sempre com minha flauta (ainda n\u00e3o me sentia seguro em \u201cpersegui-los\u201d com meu viol\u00e3o), participando das missas e outras atividades que precisassem de uma m\u00fasica para animar. Esse tempo foi de intenso aprendizado, como comunidade e como m\u00fasico, pois o n\u00edvel do folclore de Tatu\u00ed era bastante alto, n\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica, mas sobretudo espiritual. E eis que o momento que eu tanto esperava desde os meus 12 anos de idade chegou: finalmente iria vivenciar e conhecer o tal curso de Ema\u00fas. E que maravilha, que emo\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o poderia ser diferente, fiquei muito atento a todas as m\u00fasicas. E, posteriormente, vieram as oportunidades de voltar \u00e0 aldeia, como auxiliar de cantor. Tivemos nesse per\u00edodo tamb\u00e9m a realiza\u00e7\u00e3o de um Encontro Diocesano de Cantores de Ema\u00fas \u2013 Edice em Sorocaba, e na quarta ou na quinta-feira, \u00e0s v\u00e9speras portanto, uma das pessoas que estavam organizando me ligou, dizendo que o Edice seria cancelado por falta de m\u00fasicas inscritas, e se eu n\u00e3o teria composi\u00e7\u00f5es para enviar para que o evento pudesse ser realizado no domingo pr\u00f3ximo. Mais uma vez o meu SIM sendo cobrado. Ent\u00e3o, num rompante n\u00e3o sei de que, passei a noite em claro e compus, de uma s\u00f3 vez, cinco can\u00e7\u00f5es, sendo duas musicando lindas letras de um jovem poeta emauista, o Marco Aur\u00e9lio Assump\u00e7\u00e3o, e outras tr\u00eas que sa\u00edram como cascata, jorrando letra e melodia. N\u00e3o sei quanto a qualidade po\u00e9tica e musical dessas m\u00fasicas, mas foi como pude colaborar para que o Edice acontecesse. Vale a pena dizer que as m\u00fasicas n\u00e3o receberam nenhum tipo de premia\u00e7\u00e3o ou aclama\u00e7\u00e3o, mas me dei por satisfeito ao saber que minhas can\u00e7\u00f5es, juntamente com as demais, ajudaram a tornar poss\u00edvel aquele domingo festivo. E as lembran\u00e7as v\u00e3o surgindo, brotando vivas na mente&#8230;lembro-me de um curso em que os cantores eram Jo\u00e3o Batista &#8211; como respons\u00e1vel &#8211; e como auxiliares: Nino Zacariotto, Renato Massari e eu. Aqueles que conhecem o dign\u00edssimo respons\u00e1vel pelos cantores, sabe que ele gosta de \u201ccriar\u201d ambienta\u00e7\u00f5es musicadas, e esse curso n\u00e3o poderia ficar sem uma dessas experi\u00eancias. Nessa \u00e9poca, os cursos aconteciam na ch\u00e1cara S\u00e3o Jos\u00e9 em Sorocaba, que ainda n\u00e3o havia passado pela reforma das instala\u00e7\u00f5es, e a capela propiciava um ambiente escuro, aconchegante e acolhedor para medita\u00e7\u00f5es e ora\u00e7\u00f5es. Pois bem, num desses momentos, o respons\u00e1vel \u201ccriou\u201d o seguinte cen\u00e1rio: em frente a capela havia um sagu\u00e3o amplo, fechado, com a porta de entrada distante. Ele me disse para ir com a flauta nessa porta, portanto distante v\u00e1rios metros da capela, um viol\u00e3o no meio do sagu\u00e3o, um na porta da capela e outro j\u00e1 dentro. Como a ac\u00fastica do sagu\u00e3o era prop\u00edcia, a medida em que eu me aproximava, o som da flauta ia invadindo a capela num volume crescente, sendo acompanhado pelos viol\u00f5es, cada um por vez. O nosso querido e saudoso Eduardo Guenka, se emocionou, e saiu da capela nos xingando, dizendo que ir\u00edamos matar gente do cora\u00e7\u00e3o &#8211; assim que pudemos, foi uma risada s\u00f3. Outro causo que me vem \u00e0 mente, foi no primeiro curso do Secretariado Diocesano de Itapetininga, em 1998, e mais uma vez o SIM sendo posto \u00e0 prova. Tive a felicidade de ter sido convocado para servir como monitor jovem auxiliar de cantores, nesse que foi o curso hist\u00f3rico de nosso secretariado. Equipe convocada, primeira reuni\u00e3o preparat\u00f3ria, cad\u00ea o respons\u00e1vel dos cantores? Demos um jeitinho, porque poderia ter acontecido algum imprevisto e tudo certo. Chega a segunda reuni\u00e3o, e outra vez, aonde est\u00e1 o respons\u00e1vel pelos cantores? Ent\u00e3o o Guenka que foi o timoneiro, chega para mim e diz que iria ser obrigado a cortar o respons\u00e1vel e se eu poderia assumir como tal. Lembro-me bem que minhas palavras ao Guenka foram, resumidamente duas: se adiantaria alguma coisa eu falar N\u00c3O, e que meu SIM ao Ema\u00fas era incondicional; iria para qualquer fun\u00e7\u00e3o que fosse necess\u00e1rio. Por dentro, estava apavorad\u00edssimo porque, apesar de acumular alguns cursos, sempre estive como auxiliar, e minha timidez era o grande inimigo a ser domado. Sim, timidez, ainda que nem minha m\u00e3e, esposa e filha acreditem, eu sou extremamente t\u00edmido, sobretudo com rela\u00e7\u00e3o a cantar. Vieram outros cursos, outras hist\u00f3rias, muitos novos amigos, muitas surpresas, muitas experimenta\u00e7\u00f5es, como por exemplo, compor dentro do curso de Ema\u00fas. Come\u00e7amos num destes, o Edson Cebola e eu, a escrever letras conforme as palestras iam sendo realizadas. Ele escrevia um trecho e passava para mim, e vice versa; assim, muitas letras tomaram forma. Depois, nos tempos livres, tent\u00e1vamos colocar a melodia e escrever as cifras. Como resultado, temos algumas compostas, e in\u00fameras can\u00e7\u00f5es com letras e cifras que n\u00e3o nos lembramos nem se eram lentas ou mais animadas. E quando o Tiago Gon\u00e7alves, nosso querido e talentoso amigo que dispensa apresenta\u00e7\u00f5es veio para a fam\u00edlia Ema\u00fas, a\u00ed essa experi\u00eancia cresceu de maneira exponencial, a ponto de termos conseguido compor uma can\u00e7\u00e3o pelo aplicativo do celular, obviamente n\u00e3o dentro do curso, em alta madrugada, e tamb\u00e9m numa Maranatha de acolhida, enquanto uma jovem compartilhava sua experi\u00eancia do 4\u00ba dia, fomos rascunhando sobre o que ela falava e posteriormente sendo finalizada a can\u00e7\u00e3o. Para finalizar, uma lembran\u00e7a na qual preciso fazer justi\u00e7a com a linda e eterna can\u00e7\u00e3o \u201cO P\u00f4r do Sol em Ema\u00fas\u201d. Essa m\u00fasica foi composta durante um curso de Ema\u00fas em Sorocaba, por tr\u00eas pessoas iluminadas, essas que tive o prazer e a honra de me tornar amigo e mais, ter podido compartilhar momentos nos cursos em que trabalhamos juntos: o querido e saudoso padre Ricardo Dias Neto (o \u201cRica\u201d, como o cham\u00e1vamos), Jos\u00e9 Antonio Zacariotto, o \u201cNino\u201d e o Jo\u00e3o Batista Alves Floriano, o Jo\u00e3o Batista mesmo. Um belo dia, eis que o Rica me liga, contando que \u201cnossa\u201d m\u00fasica iria ser gravada pelo pessoal de Florian\u00f3polis. Eu falei a ele que era uma grande alegria, mas perguntei se ele falou \u201cnossa\u201d por ser uma m\u00fasica do nosso secretariado. E ele enfaticamente me diz que n\u00e3o, que disse isso porque, afinal, eu tamb\u00e9m era um dos compositores. Eu expliquei que isso era imposs\u00edvel, porque a m\u00fasica foi composta um ou dois cursos antes do meu. E a\u00ed ficamos no embate \u201cVoc\u00ea \u00e9 sim! Eu n\u00e3o sou!\u201d por um bom tempo. \u00a0Ele insistia que se lembrava de mim tocando flauta naquele momento. O que pude concluir foi que at\u00e9 o primeiro curso que trabalhei, \u201cO P\u00f4r do Sol em Ema\u00fas\u201d s\u00f3 tinha sido executada com viol\u00f5es, e nessa oportunidade que tive, comecei a \u201cbrincar, fazer firula\u201d com a flauta &#8211; o que o Rica adorou \u2013 e, posteriormente, at\u00e9 escreveu a partitura dessa brincadeira que fiz. Contei o fato ao Jo\u00e3o Batista e ele me disse que se o Rica me considerava como compositor por conta da firula na flauta; ele, Jo\u00e3o, n\u00e3o se opunha, e certamente o Nino, tampouco, iria ser contra; portanto, era para eu sossegar e me considerar como um dos autores. E isso ficou esquecido, at\u00e9 que recentemente, me deparo com o CD de comemora\u00e7\u00e3o do jubileu de ouro do Movimento de Ema\u00fas, no qual consta meu nome como um dos compositores, e &#8211; ironia do destino &#8211; por ter sido organizado em ordem alfab\u00e9tica, o meu vem em primeiro lugar. Gostaria de ter sido mesmo um dos criadores dessa linda p\u00e1gina do Ema\u00fas, pois tenho um carinho muito especial por ela: pela mensagem em si e pela maneira como que ela apresenta; por ter sido apresentado a ela no encerramento do meu sonhado curso; por ter tido a oportunidade de caminhar pelas estradas a Ema\u00fas com os tr\u00eas compositores; e tamb\u00e9m por ser uma das m\u00fasicas do movimento que meu pai, o Jaym\u00e3o amava. \u00a0Pronto, a verdade \u00e9 essa, n\u00e3o sou um dos pais da m\u00fasica, mas aceito ser, digamos, o \u201cpai de contrabando\u201d dela. Bem, ao longo desse tempo como cantor de Ema\u00fas, pude acumular viv\u00eancias e experi\u00eancias gratificantes, edificantes, e ao escrever aqui, v\u00e1rias vieram \u00e0 mente, dando aquele gostinho nost\u00e1lgico, de saudade, de momentos marcantes, de muitos risos, de algumas l\u00e1grimas e de muita, mas muita vida em Ema\u00fas. Pe\u00e7o desculpas de n\u00e3o citar outros cantores do Ema\u00fas, para n\u00e3o correr o risco desse texto ficar enorme, mas tenho na mem\u00f3ria pelo menos um momento compartilhado com cada um deles. _________________________________________ Jayme Campos J\u00fanior &#8220;Jayminho&#8221; Membro do Ema\u00fas desde 1988, inicialmente no Secretariado de Sorocaba e depois Itapetininga. Especial para este site Photo by Spenser Sembrat on Unsplash<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":928,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[39],"class_list":["post-926","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-catequese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=926"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/926\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":931,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/926\/revisions\/931"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/media\/928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/emaus.org.br\/itapetininga\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}